Séries

Review #1 – 13 Reasons Why

Meus caros amigos. Terminei de assistir a série 13 Reasons Why; e como prometido, alguns amigos já aguardavam ansiosamente, escrevi este review para compartilhar com vocês (sem spoilers) as minhas mais sinceras impressões. Vou tentar ser o mais breve possível por que eu quero falar sobre a série e da minha vida também. Vou abordar assuntos aqui complexos demais pra se colocar tudo num post só do facebook, por isso seria ótimo (se vocês quiserem) conversar sobre cada um deles depois, com mais calma.

A primeira coisa que eu tenho a dizer sobre 13 Reasons Why é que ela é uma série sobre violência; de todos os tipos. Não apenas palavras e atos, mas omissões e consequências também. A série inteira se dedica a expor de maneira BRILHANTE como a violência é intrínseca ao nosso meio.

A narrativa expõe todos esses fatos de maneira realista, nos faz compreender como certas coisas ocorrem, como NADA nesse mundo é binário, como as situações e as razões se misturam e às vezes é tremendamente difícil discernir entre o bem e o mal. Nesse aspecto, a série deixa uma mensagem bem clara: “Não sejam cuzões! Aprendam a se colocar no lugar dos outros!”.

E falando nisso digo pra vocês que o maior feito de 13 Reasons Why, sua maior qualidade, é justamente ter fracassado em atingir o seu público alvo.

“Wow, Rodrigo, você tá falando merda! A série é perfeita, sucesso e llskdjclskdjclkdj…” Calma caralho! Existe uma razão muito boa pra eu dizer isso. Esta série não foi escrita para atingir as pessoas que estão em depressão, que sofrem bullying ou que estão pensando em suicídio; sabe por que? Por que essas pessoas VIVEM esse INFERNO DO CARALHO todos os dias em suas vidas! Essa série foi escrita pra você, CUZÃO, que tá cagando para essas pessoas, que diz que isso tudo é frescura, que diz que é falta de rola, falta de deus, você que bate e humilha as pessoas fisicamente e psicologicamente mais fracas. Essa série é pra vocês que não conseguem compreender que suas atitudes egoístas conseguem matar uma pessoa sem fazer o coração dela parar de bater ou seu cérebro parar de funcionar.

Definitivamente esse roteiro não se dedica a fazer os espectadores se identificarem com Hannah Baker, mas sim fazer os espectadores caírem na real e entenderem que são um dos 13 porquês.

Dito isso eu quero adicionar aqui uma observação sobre a qualidade da atuação do elenco. Não é das melhores. Pessoal, simplesmente a série inteira aborda assuntos pesados pra caralho e coloca os personagens em situações extremamente constrangedoras com diálogos muito bem construídos. MAS, a expressão facial e a entonação dos atores, por vezes, tem hora que não convence; e você termina imaginando que a cena poderia carregar um drama muito maior, poderia comover muito mais se eles NÃO FIZESSEM ESSA KRA DE PAISAGEM ESCROTA DO CARALHO!

Mas pelo menos a série não enrola pra contar as histórias. Vai direto ao ponto, cada episódio conta o que deveria contar no tempo certo, com um timing muito bom. A trilha sonora também é do caralho jovens, combina muito com as cenas. A edição também é muito boa e casa perfeitamente com a filmagem, também impecável.

E eu não fiquei tão puto com o Clay quanto me disseram que eu ficaria. Demorou um tempo mas eu entendi o que se passa com ele. Esquizofrenia é um cu com hemorroida dentro de um cu com cãibra. Não julgo ele por fazer as escolhas que fez desde o momento que começou a ouvir as fitas. E pra mim a série fechou bem onde deveria, sem gancho pra segunda temporada (pelo menos não um gancho tão óbvio e escrachado como alguns dizem por aí). Na vdd se vier uma segunda temporada, vai fuder com tudo, vai ser uma merda. A história foi contada e apenas não merece ser esquecida.

Se você leu até aqui jovem e bateu aquela curiosidade de ver a série, clique aqui: Magnet Link da felicidade

Meu veredito para 13 Reasons Why: definitivamente imperdível. Não por ser uma masterpiece, mas por que tem um potencial de abrir os olhos de muitas pessoas para o mal que estão fazendo a esse mundo e tudo que nele vive. Além de promover reflexões fortíssimas sobre diversos assuntos. Sempre é bom jovens, questionarmos tudo, inclusive nós mesmos. Nossas atitudes e escolhas.

—————————- Fim do Review —————————-

Agora jovens eu quero falar com vocês um pouco sobre como essa série mudou a minha vida e como, através dos episódios, eu fui impactados por diversas lembranças horríveis que me colocaram MAIS OU MENOS no lugar do Alex Standall. Isso mesmo jovens, apesar dos acontecimentos que eu vou revelar aqui serem similares aos que aconteceram na história da Hannah Baker, eu não sou hipócrita pra dizer que sou exatamente como ela. Apenas leiam vejam por si mesmos.

A primeira coisa que eu quero contar para vocês é: eu não gravei 13 fitas k7 contando por que eu pensei em suicídio. Mas eu gravei 3 vídeos que depois eu editei e coloquei tudo em um só. Nessa época Rebecca Cavaliere (conhecida também como Becky) era a minha pessoa de confiança. Eu tinha instruções para ela do que deveria fazer com o vídeo e com o meu corpo.

Eu sei que haverão pessoas que vão me pedir para assistir esse vídeo. Nem adianta pedir, ninguém vera essa gravação, a não ser que eu realmente me mate; então pensem bem, muito cuidado com o que vocês desejam.

Nessa gravação jovens, eu não listei motivos pelos quais tomaria essa fatal decisão, fiz o contrário. Eu listei pessoas que eu considero FENOMENAIS e agradeço a cada uma delas por todas as importantes lições aprendidas. E principalmente, deixo bem claro que não há motivo nenhum para incriminar ninguém. Esse era, grosseiramente, o conteúdo do vídeo.

Nessa mesma época eu sei que feri pessoas extraordinárias com uma avalanche de péssimas escolhas. Pessoas que tentaram me ajudar o máximo que puderam, e conseguiram.

Isso começa a explicar jovens, por que eu assisti o terceiro episódio de 13RW e me identifiquei com Alex Standall. Péssimas escolhas me levaram a machucar pessoas maravilhosas e isso, essa culpa, me assombra todos os dias.

Tem amigos meus que me conhecem desde pequeno, estudaram comigo no ensino fundamental e tudo, mas tenho certeza absoluta de que não sabiam de nada disso. E nem é a ponta do iceberg. Existe uma razão pra eu ter mudado tanto, em relação a quem eu era poucos anos atrás, se não acreditam em mim podem conversar com qualquer um que me conheceu antigamente. Mas se não quiserem também, não tem problema. Minha intenção aqui com esse texto é pedir, carinhosa e educadamente, que conversem mais com seus amigos, sobre suas vidas, com a mesma intensidade. Não façam pouco da condição de ninguém. Tentem se colocar no lugar dos coleguinhas sabendo que ali dentro daquela face, por trás daquelas palavras, existe um ser humano cheio de sentimentos sortidos.

Lembre-se que todos nós somos protagonistas da nossa própria história; para cada um de nós, a própria dor é mais importante por que é a única que se pode sentir.

Essa é a mensagem que eu quero passar para vocês, meus jovens amigos. Chega de divisão, chega de afastamentos, chega de mentes transbordando conhecimento atrelados a corações tão petrificados. Somos seres humanos, temos o poder de escolher entre o bem e o mal, mas essa é a PORRA DA DECISÃO MAIS DIFÍCIL DE SE TOMAR NESTE CARALHO.

Eu realmente tenho orgulho de ter conhecido cada um de vocês.

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